NÃO
DEIXE A SÍNDROME DE SJÖGREN ARRUINAR SUA VIDA SEXUAL
!
Algumas coisas são mais difíceis de se falar do
que outras.
Enquanto conversas sobre olhos secos e boca seca são tranqüilas,
é sempre mais sem jeito se falar para um amigo, um cônjuge
ou até mesmo um médico sobre outra condição
predominante entre as mulheres com síndrome do Sjögren:
secura vaginal.
Também
freqüentemente, a vergonha ou a timidez previne a mulher
de discutir com seu marido ou médico a condição
incômoda de secura vaginal, ou as sua conseqüências
disso, que podem incluir dor durante o ato sexual e perda da libido.
Mas neste caso, o silêncio não vale ouro; é
pura tolice.
Há
numerosos tratamentos (vários bem simples) que podem reduzir
a secura vaginal e conseqüentemente, melhorar sua vida sexual,
segundo Dr. John Willems, diretor do departamento de ginecologia
e obstetrícia da Scripps Clinic em La Jolla, California.
Dr. Willems sugere vários fatores cruciais para se ter
em mente.
1. Uma avaliação
eficiente pelo médico só pode ser feita se você
se abrir diretamente com ele. Desde que a maioria das pacientes
esta se abrindo mais diretamente com seus médicos as questões
sexuais tem sido debatidas com maior freqüência. Desde
que a maioria de mulheres com síndrome de Sjögren
estão no período da perimenopausa, menopausa ou
pós-menopausa, elas freqüentemente relatam a retirada
do estrogênio, que também causa secura em excesso.
Além disso, há uma maior tendência entre as
mulheres com síndrome de Sjögren para infecções
por fungos, assim isto vira um "ciclo vicioso". Se uma
mulher está apresentando incômodo durante o ato sexual
por causa de secura excessiva, dor, coceira, irritação
ou queimação, ela deve ser franca e falar abertamente
para seu médico, que é portadora da síndrome
de Sjögren. Hoje, com as restrições de tempo
impostas pelos convênios de saúde, muitos médicos
têm um tempo limitado para dedicar aos seus pacientes e
tendem a se concentrar unicamente em questões imediatas.
Este aspecto é crítico para o bem estar da mulher,
de modo que uma avaliação apropriada deve ser feita.
Esta avaliação deve incluir análise da deficiência
de estrogênio, e se há qualquer infecção
ou se os sintomas de inflamação são devidos
meramente à secura. Isto deveria também incluir
uma investigação se os sintomas são simplesmente
relacionados à idade, ou a uma combinação
de idade e a síndrome de Sjögren.
2. Esquema
de reposição de estrogênio resolve 90% dos
problemas de secura vaginal. Se há deficiência de
estrogênio, células vaginais podem ser renovadas
pela reposição do estrogênio, que resolverá
a maioria dos problemas da secura. O aspecto crítico é
se a mulher irá aderir ao programa de reposição
do estrogênio. As pesquisas têm mostrado que depois
um ano, somente 20 a 30% de mulheres, que começam uma terapia
de reposição de hormônio, permanecem. Isto
se deve em grande parte porque elas ouvem falar de notícias
de amigas sobre os perigos do estrogênio e a sua relação
com câncer de mama. Entretanto, esta impressão é
bem diferente da realidade. Muitas mulheres pensam que câncer
de mama é a sua principal causa de morte, na verdade o
número de casos de morte por doenças relacionadas
ao coração é dez vezes maior do que ao relacionado
ao câncer de mama. O estrogênio reduz o risco de doença
do coração em 40%. Além disso, as estatísticas
mostram que as mulheres que tomam estrogênio vivem em média
mais 2,7 anos do que aquelas que não fazem uso. Um dado
interessante é que o maior grupo de mulheres em uso de
estrogênio são as médicas acima de 50 anos,
seguido pelo de esposas de médicos acima de 50!
3. Existem atualmente muitos lubrificantes eficientes para tratar
a secura vaginal. Para as mulheres que são resistentes
à reposição de estrogênio ou que são
tiveram passado de câncer de mama e não podem tomar
estrogênio, existem outras alternativas. O estrogênio
pode ser aplicado diretamente na vagina, podendo ser utilizado
duas vezes por semana na hora de dormir. Este esquema não
é suficiente para proteger o coração do infarto
nem o esqueleto contra a osteoporose, mas este creme é
eficaz para melhorar a secura vaginal. Se estrogênio não
for considerado uma boa opção, há pelo menos
15 lubrificantes vendidos nas farmácias norte-americanas,
sem necessidade de receita médica, os melhores são
hipoalergênicos e solúveis em água. Estes
variam desde um umectante líquido leve até um creme
lubrificante espesso. A escolha é pessoal, assim é
aconselhável que a paciente e o parceiro experimentem várias
alternativas para determinar o que funciona melhor para ambos.
4. A perda de libido por uma mulher pode ser revertida! Perda
de libido é uma conseqüência natural da dor
contínua. Quando a relação sexual é
uma experiência dolorosa, é facilmente aceitável
que a mulher deseje evitá-la. Além disso, quando
uma mulher esta tensa os seus músculos pélvicos
se contraem numa forma de defesa, que aumenta a fricção
e conseqüentemente, exacerba a sensibilidade. Para muitas
mulheres, a sensação e de que existem pequenos cortes
na mucosa vaginal. Algumas mulheres podem tentar um anestésico
tópico para se livrar da sensação de dor
temporariamente, mas isto não é uma solução
sábia, porque atrasa a ejaculação do homem,
exacerbado o problema ao invés de aliviá-lo. A boa
notícia é que uma perda de libido pode ser revertida.
Um começo bom e sem dor é um orgasmo sem penetração
- sozinha ou com o companheiro. Com a sensação de
prazer reforçada a mulher se lembra de experiências
sexuais positivas, com isso sua libido gradualmente será
resgatada e esta vontade futuramente a conduzirá para o
desejo de ter relações. Se uma mulher pode estimular
seu companheiro para atingir um ponto em que ele está quase
pronto para atingir o orgasmo antes da penetração,
terá conseqüentemente menos desconforto e mais prazer.
5. A comunicação com o companheiro é vital
para uma vida sexual melhor. O processo de resgate de uma vida
sexual satisfatória, esta deveria começar com diálogo
aberto entre os parceiros. Homens, por natureza, vêem qualquer
declínio na freqüência sexual como um sinal
de rejeição. Mesmo que seu companheiro saiba que
o ato sexual é doloroso para ela, ele interpreta isto como
"ela não me quer mais". Mas a maioria dos homens
é capaz de aprender. Se a mulher explica o que ela quer
e como é possível tornar a experiência sexual
mais agradável, ele geralmente ficará grato pelo
restabelecimento da intimidade, e fará o que for preciso
para que tudo funcione de acordo.
The Moisture Seekers - Published by the Sjögren's Syndrome
Foundation Inc. (founded 1983) Vol.17 No.8 November 1999
(www.sjogrens.org)
Versão para o português e revisão feita pelo
Prof. Dr. Roger A Levy.