Olho seco:
mais comum do que você pensa
Um
número estimado de 10 milhões sofrem de alguma forma
da síndrome do olho seco (DES, dry eye syndrom). Infelizmente,
com freqüência os médicos acreditam que DES
é um distúrbio raro. Aos poucos a comunidade médica
percebe que é uma condição comum muitas vezes
subdiagnosticada. Os médicos devem considerar qualquer
paciente com olho vermelho crônico ou irritação
ocular como possível portador de DES. Além do que,
pacientes com olho seco e boca seca devem ser avaliados para síndrome
de Sjögren.
A
educação médica também enfatiza incorretamente
que DES não pode ser tratada. Com sorte, mais e mais médicos
estão aprendendo que existem terapêuticas que podem
melhorar a qualidade de vida dos que sofrem de DES.
Lágrimas
artificiais podem aliviar irritação e queimação
provocadas por DES leve. De forma geral, os pacientes devem usar
as formas sem conservantes. Oclusão punctal pode evitar
que as lágrimas sejam drenadas e pode ser usada em pacientes
com DES, assim como a pomada ocular pode ser de grande ajuda à
noite. O tratamento deve ser individualizado para cada paciente,
uma vez que a DES tem várias causas diferentes que variam
muito em gravidade.
Mulheres
são acometidas mais freqüentemente que homens. Segundo
os dados colhidos pelo Dr. Schaumberg , 6,6% das mulheres sofrem
de DES, e 2,8% dos homens. A idade também está associada
com o olho seco: 4.4% das mulheres com 55 a 59 anos sofrem da
síndrome, comparado a 8.4% de mulheres com 75 anos ou mais.
Hormônios reprodutivos parecem ter papel no desenvolvimento
de DES.
Entre
as mulheres pós menopausa, a terapia de reposição
hormonal (TRH) está associada com maior incidência
e severidade da DES. Os estudos do Dr. Schaumberg indicam que
mulheres em uso de estrogênio isolado apresentam risco de
66%-70% de desenvolver DES, enquanto em mulheres em uso de terapia
combinada com estrogênio e progesterona o risco foi de 25-31%.
Adicionalmente, insuficiência na produção
de androgênios parece influenciar a função
das glândulas lacrimais.
Uma
ou mais das causas a seguir podem levar a DES: insuficiência
na produção de lágrima ou alteração
na produção mucina (mucoproteínas encontradas
nas secreções de glândulas mucosas) ou lipídios.
DES evaporativa, geralmente causada por disfunção
nas glândulas produtoras de lipídios, afeta cerca
de dois terços dos pacientes com DES. Síndrome de
Sjögren é a causa mais comum de deficiência
na secreção aquosa, afetando o outro terço.
Uma
percentagem muito pequena da DES é causada por redução
na produção de lágrima induzida por medicações
como anticolinérgicos (que bloqueia a ação
fisiológica do neurotransmissor acetilocolina). Exemplos
comuns de medicações incluem anti-hipertensivos,
antidepressivos e anti-histamínicos. Por ser comum a combinação
de fatores que levam a DES, pessoas com síndrome de Sjögren
ou outra forma de DES devem se precaver especialmente quanto a
medicações que podem reduzir a produção
de lágrima. De fato, muitos pacientes com Sjögren
e outras DES referem que foram diagnosticados errado por irritação
ocular devido a infecção ou alergia, e foram prescritos
remédios que pioraram ainda mais. Também precisam
estar alertas para tentar evitar fatores ambientais que podem
provocar ou exacerbar DES, incluindo vento, ar condicionado, baixa
umidade relativa do ar, calor seco, olhar para a tela do computador
por horas e tabagismo. Além disso, pesquisas têm
mostrado relação entre uso de lentes de contato
e DES.
Jodi Godfrey Meisler, MS, RD, Contributing Editor for the Journal
of Women's Health & Gender Based Medicine, resumiu a discussão
sobre diagnóstico e manejo de DES com três membros
do Sjögren's Syndromes Foundation Medical and Scientific
Advisory Board, M.Reza Dana, MD, MPH; Ann L.Parke, MD; and David
A. Sullivan, PhD. Esse artigo é reimpressão de Toward
Optimal Health: The Experts Discuss Dry Eye Syndrome, "Journal
of Women's Health & Gender Based Medicine, volume 10, November
8, 2001, pp.725-29 courtesy of Mary Ann Liebert, Inc. publishers,
Moisture
Seekers Vol.20 NO.2
Versão feita por Dr. Flávio Moutinho residente de
Hospital Pedro Ernesto-UERJ
Revisão feita por Dr. Alberto Bensoussan