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Odontologia

Monografia sobre Xerostomia

1- INTRODUÇÃO

A xerostomia é caracterizada pela diminuição da quantidade de saliva produzida pelas glândulas salivares. É um sintoma muito encontrado em pacientes que se submetem ao tratamento de radioterapia de cabeça e pescoço, e que por muitas vezes, os médicos e os próprios pacientes não dão a devida atenção a esta sintomatologia tão freqüente e tão importante. Com o avanço dos métodos de diagnóstico e com a possibilidade do tratamento de lesões malignas através da radioterapia se aumentou muito o número de pacientes que se queixam e que sofrem as conseqüências da xerostomia. Os danos causados às glândulas salivares podem ser reversíveis ou irreversíveis, dependendo da intensidade e duração do tratamento.

A saliva tem uma grande importância na manutenção da normalidade da saúde bucal. Com a xerostomia alguns fatores indesejáveis ocorrem como por exemplo: dificuldade de deglutição, grande desconforto, problemas com a fala, perda gustativa, diminuição do pH, diminuição da capacidade de tamponamento, mudanças na microflora oral, aumentando assim o risco de cárie e doenças periodontais.

A importância de se criar uma equipe multidisciplinar e a conscientização sobre prevenção e tratamento da xerostomia em pacientes que serão submetidos ao tratamento radioterápico de cabeça e pescoço é fundamental. O cirurgião dentista tem um importante papel nesta equipe, onde ele vai avaliar, diagnosticar e tratar o paciente antes, durante e após o tratamento.
Os pacientes que se sujeitam ao tratamento de algum tipo de câncer são indivíduos altamente debilitados tanto fisicamente quanto psicologicamente. Na maioria das vezes eles estão tão preocupados com a doença que acabam se esquecendo da importância de uma higiene oral adequada. E se essa não for acompanhada e supervisionada rigorosamente por um cirurgião dentista competente ocorrerá grandes prejuízos, agravando ainda mais a saúde desse paciente.


2- REVISÃO DA LITERATURA

MAKKONEN; NORDMAN21 em 1987, através de sua revisão de literatura achou que os valores normais do fluxo salivar estimulado para adultos saudáveis variava de 1.0 a 3.0 ml/min e era definido como 2.0±0.8ml/min para homens e 1.7±0.7 ml/min para mulheres. De acordo com ERICSSON E HARDWIC06 o fluxo de 0.7 ml/min é muito baixo. Como não existe um limite exato para hiposalivação, em seu estudo foi considerado que valores menores ou iguais a 0.9ml/min como sendo fluxo salivar reduzido.

LADD19 em 1991, comenta que a xerostomia além de causar desconforto, alteração no gosto dos alimentos, secura das mucosas, freqüentemente interrompe o sono dos pacientes. Estas interrupções durante o sono ocorrem pela sensação de secura bucal e que podem ser aliviadas pela ingestão de água. Para promover conforto e um sono mais tranqüilo ela sugere que os pacientes façam uso de umidificadores de ambientes, aumentando assim a umidade do ar e reduzindo a secura das mucosas.

Em seu trabalho de 1996, PANKHURST et al.28 descreveu a etiologia , o diagnóstico e o tratamento da xerostomia. A etiologia é da xerostomia é classificada em persistente e temporária. As causas da persistente são: Radioterapia, Sindrome de Sjögren primária e secundária, Diabete mellitus, Sarcoidose, Amiloidose e ausência ou mal formação das glândulas. A xerostomia temporária é causada por: drogas, desidratação, uso excessivo de diurético, trauma, nervosismo ou depressão. Um outro importante fator da etiologia no diagnóstico da xerostomia é que a Síndrome de Sjögren pode estar associada a AIDS. A radioterapia está associada com a xerostomia produzindo uma atrofia da glândula. Quando a glândula parótida não está totalmetne envolvida no tratamento com a radiação, até 40% da sua capacidade pode ser recuperada. A isquemia localizada da gengiva produz recessão permanente e deixa o local vulnerável as cáries. A situação é composta por uma mudança da flora cariogênica. Em pacientes que recebem uma combinação de quimioterapia e radioterapia antes do transplante de medula óssea ocorre uma situação diferente. Inicialmente, a quantidade do fluxo de saliva diminui mas retorna com o tratamento dentro de 1 a 2 anos. Não é observada nenhuma mudança na flora cariogênica. Porém se realizados em pacientes que não cooperam ocorrerá uma queda do programa de prevenção das cáries neste primeiro e crítico ano e consequentemente cáries cervicais irão rapidamente aparecer. O tratamento da xerostomia pode ser dividido em estimulantes salivares e substitutos salivares. Para se utilizar os estimulantes salivares é necessário que exista ainda atividade das glândulas salivares e para isso é de grande importância o uso da sialometria para ser usado como guia. Goma de mascar sem açúcar mascados diariamente aumentam o fluxo salivar. Estimulantes salivares químicos não ganharam muita popularidade porque não são muito eficientes e também tem seus efeitos colaterais. Triagens com o uso de Pilocarpina em pacientes com S. Sjögren aumentaram o fluxo salivar da parótida e submandibular por apenas 1 ou 2 horas após a administração mas não após 4 horas. Não há nenhuma evidência da tolerabilidade da droga e do efeito do estímulo aos 5 meses. Muitos pacientes são atraídos para o uso da medicina alternativa e tomam esses preparados por longos períodos. Evening primrose oil (gamma-linolenic acid), 2000 unidades diárias, aumentam o fluxo da parótida e submandibular em pacientes com função residual dessas glândulas porém há um atraso de 6 semanas para que ocorra o aumento deste fluxo. Quando não existe mais função residual das glândulas então a solução são os substitutos da saliva como por exemplo O Luborant (Antigen, Southport, Herseyside) e Saliva Orthana spray (Nycomed, Birmingham) são potencialmente bons agentes remineralizadores, porque ambos contém íons de flúor, cálcio e fosfato e possuem pH de 6.5, sendo assim recomendados para pacientes com dentes. Glandosane ( Runcorn, Cheshire) tem pH de 5.0 e não contém flúor e por isso podem causar desmineralização então apenas são indicados em pacientes desdentados. A acuidade do sabor pode diminuir em casos mais longos e o paciente pode relaxar na utilização dos estimulantes ou substitutos da saliva e se acontecer devemos mostrar os benefícios deste tratamento e os perigos da não realização.

VISSINK et al.34 pesquisaram em 1996 a relação da diminuição do fluxo salivar com o avanço da idade. Cerca de 25 % dos pacientes mais idosos relatam e reclamam da secura bucal. Contudo, o período do fluxo salivar em pacientes idosos saudáveis não demonstrou queda relacionada com a idade a não ser uma leve diminuição da secreção das glândulas (sero) mucosas sob mínimas ou prolongadas condições. Levando-se em consideração a morfologia das glândulas salivares, a relação com a idade tem sido demonstrado em indivíduos saudáveis também. Com o avanço da idade, o número dos ácinos reduzem e a quantidade de gordura e tecido fibroso aumentam. Estudos em animais revelaram que a síntese de proteínas é reduzida em 60% com o avanço da idade. Esta informação indica que podem ocorrer mudanças na concentração e ou atividade dos componentes orgânicos da saliva. Em estudos com humanos, a concentração de sIgA na saliva mucosa e a concentração das mucinas de alto e baixo peso molecular aparentemente reduz com a idade. Desde que a sIgA e a mucina são importantes na defesa imunológica e não imunológica da cavidade oral, ambos sistemas de defesa estarão reduzidos em pacientes saudáveis de idade mais avançada. A análise destas informações sugerem que o tecido mole oral pode ficar de alguma forma mais susceptível aos fatores ambientais devido a redução do sistema de defesa imunológica e não imunológica.

FIELD et al.08 através da discussão de seu trabalho demonstrou que a prevalência da xerostomia na população adulta ainda é incerta porém em um estudo realizado em Nova York demonstrou uma alta prevalência, cerca de 29% da população normal sofria de xerostomia. Esse número aumentava ainda mais (41%) em indivíduos que estavam sobre tratamento com medicamentos. A maioria dos pacientes eram de meia idade ou mais velhos e do sexo feminino porém não podemos considerar estes como uma amostra representativa da população porque pode estar relacionada a doenças sistêmicas ou efeitos colaterais dos medicamentos.

Estes parágrafos foram retirados da monografia intitulada: "Xerostomia em pacientes pós irradiados" realizada pelo Dr. Daniel Farinha para conclusão do curso de especialização em radiologia pela FOB-USP (Faculdade de Odontologia de Bauru - Universidade de São Paulo). Para os interessados em observar a monografia na íntegra mandem um email para danielf@elogica.com.br ou navegue no site www.elogica.com.br/users/danielf/xerostomia.htm

 
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