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Dermatologia

SÍNDROME DE SJÖGREN

Transcrição para o português do capítulo do Livro texto Fitzpatrick's Dermatology executada por Verônica Silva Vilela, residente de Reumatologia da Uerj

Manifestações Cutâneas

Xerodermia
A xerose, ou ressecamento da pele, é uma queixa comum. Em seu artigo clássico, Block e colaboradores relataram uma frequência de 50%. Prurido geralmente acompanha a xerose e pode ocorrer hiperpigmentação em áreas submetidas à repetida coçadura. Os pacientes com SS também se queixam de ressecamento dos cabelos e perda do brilho bem como ressecamento severo do canal auditivo externo com impactação de cerumen seco.
A patogênese da cerose é desconhecida. Um infiltrado linfohistiocitário das glândulas sudoríparas externas foi relatado. Foi observada diminuição da resposta sudorípara a pilocarpina em pacientes com SS. Deve ser enfatizado, no entanto, que a principal lubrificação da pele é providenciada por glândulas sebáceas. Não se sabe se os infiltrados linfohistiocitários detectados nas glândulas salivares e outros órgãos de pacientes com SS também envolvem as glândulas sebáceas.

Dermatoses Inflamatórias
Em adição à xerose, aproximadamente 20% dos pacientes com SS têm fenômeno de Raynaud. Além disso, os pacientes com SS incomumente demonstram nódulos eritematosos nas extremidades inferiores, lesões tipo placas (lesões tipo eritema multiforme), bem como manchas mal definidas eritematosas persistentes (eritema perstans). A síndrome de Sweet já foi detectada em pacientes com SS. Linfomas cutâneos, bem como amiloidose nodular também já foram relatados na SS. O autor observou um paciente com anticorpo anti Ro (SS-A) positivo e linfoma cutâneo de células B e amiloidose nodular adjacente.
Investigadores japoneses relataram uma lesão eritematosa, elevada, tipo placa com clareamento central tipo "rosca" em pacientes com SS. Na experiência do autor com várias centenas de pacientes Caucasianos e Afro-Americanos anti-Ro (SS-A) positivos com SS ou LE, nenhuma lesão similar foi observada. A ocorrência dessas lesões eritematosas, edematosas, tipo placas em pacientes japonese anti-La (SS-B) e/ou anti-Ro (SS-A) positivos pode indicar uma diferença racial na expressão cutânea da SS. Grandes quantidades de mucina, uma substância hidroscópica, foi relatada nessas lesões eritematosas, enduradas, tipo placas. Essa mucina pode ser responsável pela natureza espessada, tipo placa da lesão.

Vasculite
O quadro cutâneo mais importante associado com a SS é a vasculite. As lesões vasculíticas mais comuns são as púrpuras palpáveis e não palpáveis das extremidades inferiores. Aproximadamente 25 a 30% dos pacientes com a púrpura hipergamaglobulinêmica benígna de Waldenström haviam sido previamente reportados como portadores de SS. Muitos dos pacientes com SS e vasculite também têm crioglobulinemia mista e fator reumatóide positivo. Os pacientes reportados por Meltzer e Franklin com vasculite por crioglobulinemia mista frequentemente tinham lesões vasculíticas nas extremidades inferiores, e muitos desses pacientes provavelmente tinham SS.
O segundo tipo mais comum de lesões vasculíticas nos pacientes com SS, são as lesões vasculíticas tipo urticária. As lesões vasculíticas tipo urticária têm sido observadas nos pacientes com LES e em uma síndrome chamada de vasculite urticariforme hipocomplementemica; os pacientes com essa última síndrome têm não apenas as lesões vasculíticas urticariformes mas podem desenvolver também doença pulmonar obstrutiva crônica. As lesões tipo urticária são agora uma manifestação bem reconhecida de vasculite cutânea. Essas lesões vasculíticas tipo urticária, diferente das lesões urticariformes comuns, que usualmente surgem e desaparecem em 3 a 6 horas, podem persistir por dias ou semanas. Adicionalmente, essas lesões vasculíticas podem demonstrar petéquias (um indício de comprometimento da integridade vascular) bem como hiperpatia e sensação de queimação desencadeada por toque leve.
Dois tipos de histopatologia foram detectados nas lesões vasculíticas da SS. Uma é um insulto vascular inflamatório neutrofílico indistinguível da angiíte leucocitoclástica; a outra é uma doença vascular mononuclear inflamatória caracterizada por invasão e destruição da integridade dos vasos sanguíneos. O infiltrado inflamatório neutrofílico é composto predominantemente por neutrófilos, muitos dos quais são fragmentados. Adicionalmente, as lesões frequentemente demonstram necrose fibrinóide, oclusão de lúmen e extravasamento de hemácias. A necrose fibrinóide está presente, mas menos proeminente do que o infiltrado inflamatório neutrofílico.
Outros investigadores já haviam previamente reconhecido duas formas histopatológicas de vasculite.70 As expressões cutâneas das vasculites urticariforme e púrpuras palpáveis e não palpável das extremidades inferiores, a despeito de duas histopatologias diferentes, são indistinguíveis. Em outras palavras, fomos incapazes de detectar diferenças morfológicas entre as expressões cutâneas das vasculopatias leucocitoclástica e mononuclear.
Relação entre Doença Vascular e Anormalidades Sorológicas: Anticorpos anti-Ro (SS-A) e anti-La (SS-B), fator reumatóide, anticorpos antinucleares, crioglobulinas, hipocomplementemia e hipergamaglobulinemia são estatisticamente significantemente aumentados em pacientes com SS com doença vascular neutrofílica inflamatória. Lawley e col. demonstraram previamente a presença de complexos imunes circulantes em pacientes com SS. A vasculopatia mononuclear inflamatória que ocorre em pacientes com SS geralmente falha em demonstrar essas anormalidades sorológicas.

 
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